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14 de julho de 2024 Rio do Sul
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Resíduos das lavanderias no Alto Vale do Itajaí são reaproveitados para a produção de tijolos


Por Cristiane Faustino Publicado 08/09/2023 às 15h11 Atualizado 02/10/2023 às 10h22

Foto: Sinfiatec

Os resíduos de cinco lavanderias do Alto Vale do Itajaí estão sendo utilizados como parte da matéria-prima usada na fabricação de tijolos. A iniciativa deve ser ampliada para outras empresas da região. De roupa para o trabalho braçal a símbolo de rebeldia e juventude – na ciranda da moda, as evoluções sociais e tecnológicas transformaram o jeans em item básico e essencial de todo guarda-roupa. No Alto Vale do Itajaí, o tecido é sinônimo de emprego e renda. Entre agulhas, pontos e linhas, o setor é responsável por mais de 13 mil empregos diretos.

Mas, a produção também resulta em um passivo ambiental, é que a lavagem e o tratamento do tecido gera resíduos. Além de corantes e outras substâncias, na fase de acabamento do jeans, pequenas partículas se desprendem com produtos químicos utilizados. Isso resulta em resíduos sólidos, como lodo de tintura e partículas de fibras. E é assim que surge um projeto pioneiro, o uso do descarte das lavanderias na fabricação de tijolos.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Lavanderias do Sindicato das Indústrias da Fiação, Tecelagem, Confecção e do Vestuário (Sinfiatec), Fernando Gusmão, a proposta já era avaliada desde 2019. Com o apoio do Instituto Senai de Tecnologia foram feitos os testes necessários e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) aprovou o relatório técnico. Foi comprovado que é possível utilizar o resíduo das lavanderias. O que era um problema, com destinação adequada com alto custo, virou material para a construção civil. “Juntamos as lavanderias, cada uma investiu uma pequena parte. Nesse momento inicial que é pegar esse material levar para o laboratório, fazer a qualificação, os testes e gerar um relatório técnico que pudéssemos mostrar que é totalmente viável em uma cerâmica. Antigamente isso tudo iria para um passivo e hoje não, vai virar casas, apartamentos”, conta Fernando.

A Cerâmica Princesa de Rio do Sul já utiliza o descarte de uma indústria do setor papeleiro na produção de tijolos. Segundo o presidente do Sindicato de Indústria Cerâmica para Construção do Vale do Itajaí, Centro, Norte e Planalto Catarinense (Sindicer), Sandro Tavares Santos, os rejeitos são incorporados na massa de argila, retornando esse material para o processo produtivo. “Há 12 anos, a utilizamos o lodo de resíduo de uma empresa, utilizamos para dar um destino correto a esse papel. Antigamente era levado para o aterro sanitário, hoje utilizamos e incorporamos a massa. Nada se perde, tudo se transforma e vamos reutilizando”, relata.

No momento, a iniciativa atende cinco empresas. Mas, segundo o coordenador do Núcleo de Lavanderias do Sinfiatec, Fernando Gusmão, a ideia é ampliar a oferta do serviço. “Nesse segundo semestre já vamos ampliar com novas lavanderias. Fazer toda parte de qualificação do lodo, se é viável e vamos partir para o mesmo processo. Isso é escalável e pode se escandir para varias lavanderias”, ressalta.

Com a iniciativa, em breve, o Alto Vale pretende estar livre do descarte de lavanderias e tinturarias. Este é mais um passo dado em direção à certificação de origem “Vale Azul”. É que a indústria da moda, na região, desde 2013, aposta em alternativas ambientais. As empresas, através do Programa Sinfiatec Eco responsável fazem a destinação correta dos resíduos sólidos, sem custo. Enquanto parte das sobras da cadeia de produção são utilizadas na forração de tetos e laterais de veículos, restos de malhas voltam a serem fios e retornam para o segmento.

O empresário, Iuri Cristofolini, conta que cerca de 10 mil toneladas de materiais deixaram de ir para aterros sanitários. Uma caminhada rumo a um futuro ainda mais coletivo. “O Vale Azul é um grupo de empresas que já vem vencendo e pretende vence obstáculos juntos. A atualidade já é coletiva, principalmente em uma região de pequenas confecções. O Vale Azul vem para fortalecer a região e servir como um incentivador de desenvolvimento e de elevação do seu nível técnico. Entendemos que as linhas de sustentabilidade ambiental, social e governança sejam os caminhos que temos que percorrer para subir de nível”, conta.

Embora seja jovem no Alto Vale, com cerca de 40 anos, o setor têxtil e de confecções é o maior empregador. A região também resgata essa história e busca relatos e registros fotográficos. A ação busca conseguir a certificação de origem e os dados serão usados para justificar a tese junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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