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21 de julho de 2024 Rio do Sul
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Cooperativa de reciclagem de Ituporanga encerra atividades após ordem de despejo

Com a desestruturação da Coopercicla, os colaboradores ficaram sem emprego e sem condições de trabalho


Por GCD Publicado 05/07/2024 às 08h06
Cooperativa de reciclagem de Ituporanga encerra atividades após ordem de despejo
Cooperativa de reciclagem de Ituporanga encerra atividades após ordem de despejo – Foto: Arquivo Pessoal

Cooperativa de reciclagem de Ituporanga encerra atividade após ordem de despejo. Com a desestruturação da Coopercicla, os colaboradores ficaram sem emprego e sem condições de trabalho.

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Fundada em 2016, a Cooperativa de Catadores de Reciclagem de Ituporanga (Coopercicla) foi fundamental para a reciclagem de materiais no município. A cooperativa, que vinha operando de forma contínua, enfrentou um golpe no final do ano passado quando uma nova cooperativa se instalou na cidade, causando uma divisão e incerteza entre os trabalhadores.

Despejo

A nova cooperativa trouxe consigo problemas financeiros e logísticos, resultando em uma ordem de despejo para a antiga cooperativa de reciclagem de Ituporanga. A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, representada pelo ex-secretário Sérgio Eduardo Cunha Rosa, notificou a cooperativa em 24 de janeiro de 2024, exigindo a desocupação do antigo Centro de Triagem no bairro Cerro Negro até o dia 2 de fevereiro.

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No documento, foi informado que o contrato entre o Município e a Cooperativa não havia sido renovado e estava encerrado desde 12 de dezembro de 2023. Além disso, a triagem do material reciclado foi transferida para um novo local no bairro Vila Nova, anexo à Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, onde há uma estrutura licenciada adequada.

Impacto na comunidade

Rafael Marcirio, representante da cooperativa, expressou sua indignação com a decisão. Ele enfatizou que a chegada da nova cooperativa desestruturou a antiga, deixando muitos cooperados sem emprego e sem condições de trabalho.

“Chegaram lá com essa outra firma, com advogados associados da cooperativa e o antigo secretário foi junto. Falaram o seguinte: ‘vocês trabalham conosco a partir de tal dia. Ou senão vocês se viram’. Eles queriam fazer uma parte de seleção do pessoal. Alegam que iriam arrumar emprego para todos, mas eles queriam que trabalharíamos fichado com eles um ano, para depois ser um cooperado. Todo mundo sabia que muitas pessoas não iriam passar nessa seleção, porque, quem trabalhava com nós, pessoas idosas, pessoas não conseguiam outros tipos de trabalho”, revela.

A desestruturação causou uma divisão entre os colaboradores, com muitos migrando para a nova empresa por medo de perderem seus empregos, enquanto os trabalhadores mais antigos, afastados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), permaneceram.

“Eles insistirem para a gente fechar a cooperativa. Não tem como fechar a cooperativa, porque, tem pessoas encostadas pelo INSS, pessoas que não arrumam emprego em outros lugares. Então, por isso, que a gente insiste em ficar com a nossa cooperativa. A gente sempre trabalhou corretamente, sempre ajudou o município, as pessoas são de Ituporanga. Eu não sei o porquê que eles trouxeram um pessoal de fora, por motivos pessoais, provavelmente”, ressalta.

Perda de equipamentos

A nova empresa também retirou a prensa, o principal equipamento de trabalho dos coletores. Rafael destacou que a máquina pertencia à cooperativa e que a prefeitura havia fornecido apenas o motor.

“O único maquinário que a gente tinha para prensar fardos eles retiraram. Até agora eu peço o comprovante desse maquinário para eles e eles não me enviam, não tem. Assim, é uma prensa que se encontrava mais de 20 anos com o pessoal que era da cooperativa, foi refeito esse maquinário do zero, com carcaça nova, tudo novo e a prefeitura somente tinha disponibilizado um motor para esse maquinário. E, simplesmente foram lá e retiraram a prensa da gente e depositaram nesse novo espaço onde é a nova cooperativa”, explica.

Busca por justiça

Indignado, Rafael ressalta que a cooperativa sempre trabalhou corretamente no município e contribuiu significativamente para a reciclagem. Ele lamenta a falta de apoio do executivo municipal e reforça que o fechamento da cooperativa afetou o sustento de muitas famílias.

“A gente fica meio indignado, pois, o pessoal ajudou tanto o município e ele simplesmente disseram: ‘vocês a partir de hoje, não pertence mais nada aqui’. Então, o pessoal hoje se encontra sem trabalho, as pessoas de mais idades que trabalham conosco a gente ajuda. Alguns estão fazendo uns bicos, trabalhando fora para poder se manter até resolver esse problema”, enfatiza.

Renovação contratual e migração de trabalhadores

Em nota, o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Agricultura explicou que o contrato com a Coopercicla encerrou em dezembro de 2023 e não teve renovação por conta da redução de custo e questões ambientais. Conforme a manifestação, tudo ocorreu dentro da legalidade. A Apri assumiu efetivamente os trabalhos em Ituporanga em 17 de dezembro de 2023, e a contratação ocorreu por meio de aditivo ao Convênio nº 001/2022. Vale mencionar que oito pessoas que antes trabalhavam na Cooperativa de Ituporanga migraram para a Apri, e estão associadas a esta cooperativa.

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A nova empresa também retirou a prensa, o principal equipamento de trabalho dos coletores – Foto: Arquivo Pessoal

Transferência e estrutura no bairro Vila Nova

De acordo com a prefeitura, a ordem de despejo não condiz com a verdade. Como o contrato com a Coopercicla foi encerrado e o Centro de Triagem devidamente licenciado, foi transferido para o bairro Vila Nova, ao lado da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, onde inclusive foi montada uma estrutura nova, com mesa separadora e esteira. 

Propriedade da prensa hidráulica

Na nota, o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Agricultura informou que a referida prensa hidráulica faz parte dos bens da Administração Municipal, visto que no sistema IPM o bem móvel consta sob o código nº 2052, adquirida em 08.05.2014 e está inserida no rol de bens da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. Desta forma, não resta dúvida quanto à prensa utilizada pela Cooperativa tratar-se de bem público.

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