Júri de Ituporanga condena homem a 26 anos de prisão por envolvimento no “Caso da Ossada”

O mistério do “Caso da Ossada”, que intrigou a região em agosto de 2018, quando uma ossada humana foi encontrada na Estrada dos Tropeiros, em Leoberto Leal, teve desfecho após julgamento do Tribunal de Júri.

O homem reconhecido como autor do crime foi condenado a 26 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado e tráfico de drogas, já que, no momento em que ele foi preso, também foram apreendidas aproximadamente 23 gramas de cocaína na residência dele e constatado a prática de tráfico drogas. A investigação também apurou a participação de outro criminoso que, dias após a execução do crime, morreu em um acidente de trânsito.

Além da ossada, outros vestígios foram encontrados. Na época, o médico legista definiu que os fragmentos pertenciam a uma mulher e os pertences, que foram encontrados junto, deram indícios de que se tratava de uma garota de programa.

A Delegada da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Ituporanga, Elisabete da Cruz Pardo Figueiredo, lembra que, a partir destas informações, a Polícia Civil deu início às oitivas e diligências, principalmente junto a outras mulheres que poderiam conhecer a vítima. “O inquérito foi concluído em dois meses, mas a ação só foi deflagrada em março de 2019, quando saiu o resultado do exame de DNA que reconheceu a vítima”, justifica a autoridade policial.

Durante as investigações, foram necessárias diligências nas cidade de Ituporanga, Imbuia, Vidal Ramos, Alfredo Wagner, Lages, Urubici, Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis.

De acordo com as primeiras análises efetuadas pelo Instituto Médico Legal, a mulher deveria possuir a estatura entre 1,55 e 1,60, sendo que o crime deveria ter ocorrido a cerca de 6 a 8 meses. Após investigações, a equipe concluiu que se tratava de uma mulher de 29 anos, que de fato era garota de programa, e que o motivo da morte dela foi uma desavença relacionada ao tráfico de drogas.

Diante dessa informação, a equipe de investigação fez contato com a família e colheu o material genético para confrontação, com o auxílio da Delegacia de Polícia de Desaparecidos, que, por fim, confirmou a identidade da vítima.

Confira os passos da investigação, que levaram a equipe ao autor do crime, conforme descrito em relatório da Polícia Civil*

A investigação apontou que a vítima foi morta com pelo menos um disparo de arma de fogo, que restou materializado em função do crânio encontrado com a perfuração oriunda do disparo de arma de fogo, todavia de acordo com depoimentos colhidos acredita-se que a vítima foi alvejada por pelo menos mais dois disparos de fogo.

Demais disso, apurou-se que a vítima foi atraída e levada até o local dos fatos, sob o pretexto de realizar um programa, enquanto os autores iriam realizar o assalto do ‘cliente’, mas durante o trajeto soube que teve sua vida sentenciada, por ter sido apontada como ‘cagueta’ e ‘rata de mocó’.

O crime foi previamente planejado e arquitetado, sendo escolhido um local ermo, para que o corpo não fosse encontrado na certeza de que este crime restaria impune. A vítima não teve condições de oferecer qualquer resistência, e ainda que implorando teve sua vida covardemente ceifada.

Sem sombras de dúvida esta investigação foi uma das mais complexas, dado o lapso temporal transcorrido do crime, da dificuldade de identificação da vítima, pois só existia uma ossada, sem maiores informações a respeito de quem se tratava, e também à época não existia desaparecidos na região, bem como no que tange a identificação da autoria que no transcurso da investigação se agravou, em razão da existência do temor por diversas testemunhas considerando os envolvidos e a motivação do crime.

A sentença do Tribunal de Júri consolida todo um trabalho técnico científico feito com esmero pela Polícia Civil que contou com a cooperação do Corpo de Bombeiros, do Instituto Geral de Perícias, com a presteza e eficiência do Poder Judiciário e do Ministério Público, e sobretudo com o fomento de informações da população”.

*Trecho descrito em nota emitida pela Polícia Civil de Ituporanga
Reportagem: Kelley Alves

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.